Talvez os fotolivros sejam como os cactos. Florescem em condições adversas. São objectos caros numa época falida. São objectos lentos numa cultura vexada pela ilusão da urgência. São objectos de sentido difícil e indeterminado numa era da sobressimplificação. São, numa palavra, «objectos», artefactos perecíveis, num tempo que se caracteriza pela desmaterialização de meios. E são, ainda, enquanto forma na qual o uso de filme ainda não deixou de prevalecer, a apoteose da paciência, da dúvida constante, da consciência do desperdício, da precisão. 

O êxito do fotolivro parece, então, paradoxal. Basta porém pensar que não há reserva de moicanos onde não haja igualmente tótemes, e o negócio correspondente. Um cínico zombará que são apenas objectos de luxo para os privilegiados da época; pequenos troféus do ego. Tem a sua razão — salvo no «apenas». Seja como for. No único sentido que importa, são obra de amadores para amadores. Se é que vivemos a sua época de ouro, é uma contracorrente feliz.

Ao olhar para esta pilha de livros sobre a secretária penso no tempo que me falta para escrever sobre cada um. A verdade é que se tivesse tempo para escrever sobre todos os livros que recebo e me emprestam, não o ocuparia a escrever sobre eles, mas a cogitar sobre o que haveria de escrever a seu respeito. (Escrever dói.) «A não ser que fossem textos mais curtos sobre fotolivros, etc.» — foi esta exactamente a frase que a minha cabeça me respondeu ao ouvir-me repetir a mim mesmo que um fotógrafo não devia andar por aí a escrever sobre fotografia.