Némesis, Colosso (excerto)
Nemesis, Colossus (excerpt)



















































































A fotografia parece-se com a arquitectura em serem ambas modos de organizar o espaço. Ao contrário da arquitectura, no entanto, a fotografia deixa tudo como está. A primeira é normativa e política: lida com o que «deve ser». No seu melhor, a fotografia aceita aquilo que «é».

Isto torna irónico e paradoxal que tantos de nós, fotógrafos, lidem com coisas que nos frustram, coisas como o mal, a injustiça, a paisagem alterada pelo homem, ou as nossas vidas pessoais.

Este trabalho nasce de uma fixação com o poder nocivo da arquitectura, com a urbanização como embrutecimento, com a maneira de os edifícios e as superfícies indicarem uma cultura a qual, nalgum sentido, determinam, e da qual resultam.

Ao fazer estas imagens senti por vezes, nas minhas caminhadas em torno de Lisboa, que estava a lutar não com uma paisagem urbana absurda mas com o julgá-la absurda; não com o meu país mas com uma visão do mundo; não com o formato quadrado mas com o centro enquanto poder; não com a superfície da vida nas periferias mas com a minha auto-imagem; — quando de súbito a noção de fazer fotografias contra o que «é» fez-me esboçar um sorriso. Senti-me tolo e impotente, mas estranhamente justificado.

Isto sou eu, vivemos aqui, vejo as coisas assim. 
Photography resembles architecture in that both are ways of organizing space. Unlike architecture, however, photography leaves things as they are. Architecture is normative and political: it deals with «oughts». Photography deals with a given «is». At its best, photography accepts what «is».

This makes it ironic and even paradoxical that so many of us, photographers, have been dealing with things we are frustrated at, things like evil, injustice, man-altered landscape or our personal lives.

This work started from a fixation with architecture’s damaging powers, with urbanization as stultification, with how buildings and surfaces indicate a cultural climate which they somehow both determine, and are a product of.

While making these images I sometimes felt, during my walks in the Lisbon area, that I have been contending not with a preposterous urbanscape but with finding it preposterous; not with my country but with a worldview; not with the square aspect ratio but in fact with center as power; not with the surface of life in the peripheries but with my self-image; — when of a sudden the thought of making photographs against «what is» made me smile a little. I felt foolish and powerless, but strangely validated.

This is who I am, this is where we live, this is how I see.





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© HUMBERTO BRITO, 2018